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De todas as emoções que vivi na minha vida até hoje, as mais marcantes foram o nascimento das minhas duas filhas (A Belle e a Lu). Independente do espaço de tempo que se passou, consigo revivê-las com a mesma intensidade da época.
A primeira, a Maria Luiza, foram dois anos de tentativas até finalmente conseguir engravidar, e assim que eu soube da gravidez tinha a certeza absoluta de que seria uma menininha. Foi uma gestação solitária, mas mágica. Era a realização de um sonho, minha família sempre foi pequena, minha mãe filha única, pais separados e distantes. Logo, éramos sempre e apenas nós três, eu, minha irmã e minha mãe. Uma família sem crianças e com muitos sonhos.
Minha irmã foi a pioneira e nos deu um pequeno pacotinho, Sophia, uma bebê com fartos cabelos negros e olhos imensos de jabuticaba.
Sophia e Brucutu (Amo esta foto!!)
Maria Luiza em algumas de suas fases
Seguindo o instinto alimentado pelas bonecas na infância, meu sonho de maternidade começou a florescer com muita intensidade.
A Minha Primeira Gravidez:
Enfim, depois de dois anos de tentativas frustadas, consegui engravidar e viver todas as emoções das quarenta semanas. O enjoo do primeiro trimestre, a barriga crescendo, os primeiros movimentos do bebê, a descoberta do sexo, a escolha do enxoval, os bordados, a escolha dos móveis do quarto, tudo com muito carinho e cuidado.
O Parto:
A gravidez já seguia além da data marcada, o obstetra passou a acompanhar a bebê com ultrassonografias diárias, até o dia em que detectou o começo do sofrimento fetal da pequena, o tão desejado parto normal foi descartado, seria preciso partir para a intervenção cirúrgica.
Naquele dia experimentei uma avalance de emoções contraditórias. Ansiedade de ver o rostinho da minha bebê, tristeza por perder a barriga, alegria por finalmente pegá-la nos braços, medo dos riscos de uma cirurgia, e uma enorme preocupação com a sua saúde.
A cirurgia foi tranquila e a bebê nasceu saudável, o choro forte da minha filhinha, provocou em mim uma emoção tão forte que até então nunca havia experimentado. Explodi, me desmachando em lágrimas e risos, foi naquele instante que me dei conta de que a minha vida nunca mais seria a mesma.
O Pós-parto:
Os momentos pós-parto foram incríveis, subi para o quarto e esperei a pequena chegar do berçario. Foi uma separação dolorosa, me senti vazia por algum tempo, foram nove meses de cumplicidade, de carinho e amor. Agora ela já não fazia parte de mim, e o período das primeiras horas que estivemos separadas foi angustiante e assustador (imagino que para ambas). A chegada da pequenina no quarto foi como se eu tivesse voltado no tempo e tivesse ganho aquela boneca tão desejada. Desembrulhei o pacotinho e me pus a inspencionar cada detalhe, cada pedacinho daquele corpinho tão pequeno. Alívio! Ela era perfeitinha.
No hospital foi tudo fantástico e perfeito, a cada chorinho, a cada soluço, apertava um botaozinho mágico e surgiam as enfermeiras com graça da minha falta de jeito. E em pouco tempo a bebê já estava calma e dormia tranquilamente. A todas as visitas me vangloriava por minha pequena ser tão calminha, diferente das histórias que eu ouvia. (Doce ilusão!!! rs)
Recebi alta hospitalar e fui embora com a minha pequena família. Ela se aconchegou nos meus braços e eu a abraçava como se fosse a extensão de mim mesma. No trajeto para casa, acompanhei deslumbrada, cada suspiro, cada bocejo, cada piscadela, cada olhar, com toda atenção e cuidado.
Recebi alta hospitalar e fui embora com a minha pequena família. Ela se aconchegou nos meus braços e eu a abraçava como se fosse a extensão de mim mesma. No trajeto para casa, acompanhei deslumbrada, cada suspiro, cada bocejo, cada piscadela, cada olhar, com toda atenção e cuidado.
A primeira noite em casa:
O berço ficava há dois passos da cama, mas pareciam quilômetros,,, não consegui sequer fechar os olhos, parecia haver uma distância enorme entre nós duas. Puxei e encostei o berço na beirada da cama, mas ainda assim, ela parecia imensamente distante. O que estava acontecendo? Tive medo de dormir, de fechar os olhos e perdê-la de alguma forma.
Me sentei na cama e não contive o choro, o que eu tinha feito da minha vida? Nunca antes, havia sentindo tanto medo, tanta insegurança e fragilidade. Tive horror da imensidão do amor que eu sentia, era um sentimento enorme de impotência diante do mundo. A partir daquele momento ela estaria a mercê de uma vida na qual eu tinha limitações e não poderia estar ao lado dela 100% do tempo. Desejei que ela voltasse para dentro de mim.
Mas o tempo passou e com ele aprendi que ser mãe, vai muito mais além do instinto, cada dia você é forçada a se superar. Aprende a conviver com a dor de ver um filho sofrendo, de vê-lo crescendo e lidando com a dura realidade do mundo, que na maioria das vezes pode ser muito cruel e insensível. Aprende que ele precisa trilhar o seu próprio caminho, que ele terá que cair para aprender a se levantar, e que por mais que seja doloroso, ele precisa existir além de você.
Acredito que o maior medo de uma mãe, seja perder um filho, por alguma doença, pelas mãos de bandidos, de drogas e por todas as fatalidades as quais estamos sujeitos.
Acompanho o Blog VidAnormal, que é o relato do pior medo de uma mãe. Nele, a autora Carolina, descreve detalhadamente toda a sua dor e luta diária contra o câncer dignosticado em sua pequena Ana Luiza. Uma história de dor mas ao mesmo tempo de coragem, força e esperança. Torço muito para que essa história continue caminhando para um final super feliz.
Dedico esse post às todas as mães, em especial as de Realengo, de Isabela Nardoni, a que teve o filho arrastado pelas ruas por bandidos, e todas as outras com filhos mortos incógnitamente.
Que Deus proteja e poupe de dores todas as mães do mundo, é o meu desejo para um Feliz Dia das Mães.
fotos: Todas as fotos deste post são da minha segunda gravidez (Belle), não consegui resgatar nenhuma digital e nem scannear nenhuma da primeira. Mesmo assim preferi usar fotos reais e que retratam da forma fiel todos os sentimentos e emoções que vivenciei no nascimento das minhas duas filhas.
Dedico esse post às todas as mães, em especial as de Realengo, de Isabela Nardoni, a que teve o filho arrastado pelas ruas por bandidos, e todas as outras com filhos mortos incógnitamente.
Que Deus proteja e poupe de dores todas as mães do mundo, é o meu desejo para um Feliz Dia das Mães.
Beijos
fotos: Todas as fotos deste post são da minha segunda gravidez (Belle), não consegui resgatar nenhuma digital e nem scannear nenhuma da primeira. Mesmo assim preferi usar fotos reais e que retratam da forma fiel todos os sentimentos e emoções que vivenciei no nascimento das minhas duas filhas.














